Em idos de 1960, Jânio da Silva Quadros veio à Lajeado para um grande comício que nos encantou com suas promessas de varrer de Brasília todos os maus politicos e os trambiqueiros que haviam tomado de assalto o erário da nação. Logo na entrada recebemos uma vassourinha dourada que prendemos na lapéla.Meio desconfiados escutamos os discursos inflamados dos políticos e as promessas do Jânio de varrer o Brasil de norte a sul, leste ao oeste. Quanta ilusão !
Foi eleito com uma votação estrondosa e no primeiro pileque renunciou à presidencia e nos deixou chupando o dedo com cara de bobos.
Mas e o sapato Samélo?
É que nos tempos das vacas magras, minha mãe havia nos presenteado com um Samélo para mim e para Laura (2 anos) e João Henrique (3 anos) um Ortopé, fomos estrear justamente no comício do Jânio.
Na volta pegamos um toró e chegamos em casa molhados (ainda não tinhamos carro) e com os sapatos embarrados. Descalçamos os sapatos na entrada da casa e fomos nos secar.
Quando voltei para recolher os sapatos eles haviam desaparecido.
Foi um Deus nos acuda, procura daqui e dali e nem sinal.
Naquele tempo ladrão em Lajeado não existia, em desespero olhei para J.Henrique e achei ele com cara de quem tinha feito cocô nas calças.
Apertei e ele contou: veio um guri pedir esmola e como os sapatos estavam sujos ele deu...
Sai correndo para ver se alcançava o meu Samélo, mas nem sinal, escafedeu-se...
Samélo nunca mais.
2 comentários:
Crédo!
De sentar e chorar...
João Henrique nunca escondeu seu grande coração.
Eu o admiro muito.
Cada vez qe ouço histórias como essas compreendo pq ele é tão especial.
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