sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Adeus sapato Samelo

Em idos de 1960, Jânio da Silva Quadros veio à Lajeado para um grande comício que nos encantou com suas promessas de varrer de Brasília todos os maus politicos e os trambiqueiros que haviam tomado de assalto o erário da nação. Logo na entrada recebemos uma vassourinha dourada que prendemos na lapéla.

Meio desconfiados escutamos os discursos inflamados dos políticos e as promessas do Jânio de varrer o Brasil de norte a sul, leste ao oeste. Quanta ilusão !

Foi eleito com uma votação estrondosa e no primeiro pileque renunciou à presidencia e nos deixou chupando o dedo com cara de bobos.

Mas e o sapato Samélo?
É que nos tempos das vacas magras, minha mãe havia nos presenteado com um Samélo para mim e para Laura (2 anos) e João Henrique (3 anos) um Ortopé, fomos estrear justamente no comício do Jânio.

Na volta pegamos um toró e chegamos em casa molhados (ainda não tinhamos carro) e com os sapatos embarrados. Descalçamos os sapatos na entrada da casa e fomos nos secar.

Quando voltei para recolher os sapatos eles haviam desaparecido.
Foi um Deus nos acuda, procura daqui e dali e nem sinal.

Naquele tempo ladrão em Lajeado não existia, em desespero olhei para J.Henrique e achei ele com cara de quem tinha feito cocô nas calças.

Apertei e ele contou: veio um guri pedir esmola e como os sapatos estavam sujos ele deu...

Sai correndo para ver se alcançava o meu Samélo, mas nem sinal, escafedeu-se...

Samélo nunca mais.

2 comentários:

Alien disse...

Crédo!
De sentar e chorar...

Binha disse...

João Henrique nunca escondeu seu grande coração.
Eu o admiro muito.
Cada vez qe ouço histórias como essas compreendo pq ele é tão especial.