Certa noite meu pai foi convidado para uma reunião com seu Pedro Souza, o Vice- Prefeito e autoridade máxima da Vila Tereza.Ele mantinha a ordem com a ajuda de dois brigadianos e era muito respeitado.
Mas, chegando lá, meu pai encontrou outras pessoas também foram convocadas. Seu Pedro participou que tinha recebido um comunicado muito estranho. Estava se deslocando de Sta. Cruz um caminhão com uns quinze baderneiros, armados de paus e pedras, para promover um quebra - quebra no comércio e demais propriedades na Vila.
Convidou então os presentes para um mutirão. Todos apavorados com o inesperado, concordaram em ajudar. Era a guerra chegando na Vila Tereza.
Meu pai voltou para casa afobado, mal contou o que estava acontecendo, colocou o revólver na cintura, passou mão na espingarda de caça e saiu na disparada.
Lembro que fiquei muito assustada e comecei a chorar.
Os homens foram se postar próximo da fábrica de bebidas Celina.
A estratégia era impedir a entrada dos arruaceiros na Vila.
Já achando que tinham caido num trote, eles avistaram ao longe o caminhão se aproximando e ficaram atentos.
Quando estavam bem perto, Seu Pedro saltou no meio da estrada, levantou o braço e mandou o motorista parar. Em seguida foram cercados e receberam ordem de voltar.
Como eles queriam surprender e foram surpreendidos botaram a viola no saco e voltaram para Sta. Cruz e o problema foi resolvido sem derramamento de sangue. Naquela época era comum estes ataques às fábricas e lojas, cujos donos ou fundadores eram alemães natos ou descendentes.
Quando Getúlio Vargas se suicidou também ouve quebra-quebra em Porto Alegre.
Assisti da sacada do meu quarto o povo quebrando e colocando fogo na cervejaria Brahma, mas esta história conto outra hora....
